A hora e indústria de TI

agosto 24th, 2009 § 0

Bom, já havia falado que havia lido o livro “The Mythical Man-Month”. Hoje vou falar sobre mais algumas coisas sobre o texto.

O autor defende que horas e pessoas não são intercambiáveis, ou seja, não dá para aumentar a equipe e esperar que o produto seja entregue mais rápido. Com mais pessoas, pode ser que seja mais rápido, pode ser que seja a mesma coisa, ou ainda pode ser mais lento que se mantivesse a equipe menor. E foi ainda mais enfático: adicionar pessoas num projeto atrasado, deixa-o mais atrasado.

A razão para esse fenômeno, para muitos ainda contraintuituvo, é que determinadas tarefas são difíceis de serem feitas em paralelo, e quanto mais pessoas, maior o tempo gasto em comunicação entre os membros, em detrimento do trabalho “útil”.

Uma outra coisa que o livro fala é que a diferença de produtividade entre um excelente programador e um mau programador é de 10 para 1. O que significa que nem sempre compensa contratar os piores programadores porque não compensa pelo custo-benefício.

Mas chega a desanimar se comparar o livro com a realidade brasileira. Não se fala na área man-month, man-day, homens-mês ou homens-dia; fala-se simplesmente hora (do tipo: “essa alteração leva tantas horas”), como se a pessoa encarregada em construir o programa simplemente ficasse fora da equação, e o projeto ficasse pronto pela simples passagem do tempo.

Pra piorar: o valor percebido de um software está em quanto satisfez as expectativas do cliente, não em quantas horas foram gastas na construção. Entre uma feature que traz grande satisfação, mas poucas horas, e outra que traz pouca satisfação, mas muitas horas; a última seria economicamente vantajosa pra quem vende horas. (Percebe porque está cheio de consultoria pereba?)

E a razão 10:1 para a produtividade entre o melhor e o pior pode até indicar pra uma empresa de software que vale a pena contratar o melhor. Mas como são raras as empresas sensíveis a esse ponto, essa razão significa simplesmente uma coisa: quem faz muito ganha relativamente pouco e quem faz pouco ganha relativamente muito. Implica que não é vantagem para nenhum programador melhorar seu próprio nível educacional, pois uma eventual reciclarem teria pouco reconhecimento.

E isso é verdade! Acredito que tenha muitos profissionais que não sabem como é um bom projeto de software, seja porque nunca trabalhou num, seja porque nunca se qualificou para tal.

Dá até tristeza ler “The Mythical Man-Month”.

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