Existe dicotomia entre prazo e qualidade?

janeiro 27th, 2009 § 0

Minha opinião: não.

Um projeto não anda mais rápido com menos qualidade ou mais lento com mais qualidade. Os profissionais que defendem a tese de que qualidade interfere no prazo do projeto, costumam se alienar nos Gantt Charts. Pois, quando ocorre uma redução na qualidade, os gráficos apresentam “progressos” que inexistem, porque não é progresso de fato, é apenas um trabalho que será adiado mais pra frente, sempre antes do prazo de entrega. Queda de qualidade apenas cria mais impedimentos para a conclusão do software, não encurta o seu tempo.

Na maioria das vezes, os profissionais não sabem definir, em seu prójeto de software, o que é qualidade. Não raro, pra algumas pessoas, a qualidade é definida como a produção de um diagrama extenso no Rose, a definição detalhada de padrões, as checagens intermitentes que garanta que nada saiu do lugar, o padronização de codificação… Desculpe, mas nada disso tem a ver com qualidade.

Permita-me explicar: na verdade, uma das coisas que determina a existência de projetos atrasados é a desconfiança. Sim, é um fator humano, não técnico. A desconfiança faz com que aquilo que, em condições normais, seria ridículo, se torne perfeitamente plausível num ambiente hostil.

Exemplos em desenvolvimento de software: o programador que (re)escreve toda a conversa por e-mail (pois há a desconfiança de que o outro lado mude de idéia); o manda-chuva que escreve uma aplicação “amarrada” (pois não há garantia de que os programadores juniores escrevam corretamente); o arquiteto que escreve toneladas de documentação (numa eventual cobrança dos superiores, ele pode comprovar que fez o trabalho corretamente); o especialista que encontra um nicho de trabalho numa equipe e não faz outra coisa (garante que ele não será cobrado por problemas no profuto final); o gerente que põe um prazo apertado (para garantir que não haverá “corpo-mole”).

Ou seja, todos desconfiam de que seus pares possam um dia puxar o teu tapete, de que seus subordinados mintam e não entreguem o esperado, de que seus superiores não te dê suporte e não torele as mínimas faltas, de que os clientes tentem enrolar e te trapacear… A solução adotada por muitos são os infindáveis documentos que devem ser assinados com sangue por ambas as partes, as verificações e reverificações de procedimentos, a mentira, a cortina de fumaça, as desculpas de que “isso é assim mesmo”… Todo esse trabalho só existe por causa da desconfiança, trabalho esse que consome tempo que consome dinheiro que não servirá pra nada no produto a ser entregue (como se diz por aí: não “agrega valor”).

A solução é simples, a princípio. Se existe desconfiança, crie um ambiente de confiança. Dããã! Fazer isso não é tão simples, e depende de tolerância, respeito mútuo, valorização de um time ao invés de um indivíduo. Cuidar da confiança é bem melhor do que as firulas que servem apenas para remediar situações específicas que não atacam o mal pela raiz. Parece até que as pessoas procuram buscam curar o câncer receitando analgésicos!

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