Isso mesmo! Não vá hastear a bandeira vermelha lutando pela condição injusta que os programadores são tratados. Para o mercado de trabalho, você é um produto que possui valor. Também não fique triste, você não tem que se conformar, você pode ficar por cima. Vou te dar alguns exemplos:
1.
Você é um agricultor, e a produção na roça é seu único meio de sustento. Como sua produção é revertida em dinheiro, você está mais interessado em cultivar aquilo que te oferece o maior retorno. Mas o problema é: o que cultivar? Imagine que num determinado ano a batata está com preços lá nas alturas. Com isso, você passará o ano cultivando batatas. No ano seguinte, você vende o seu produto para receber a grana alta que estava tanto sonhando… porém o valor recebido está bem abaixo do esperado.
Por que isso? O que aconteceu? Simples, você não foi o único que olhou o preço alto das batatas. Todos olharam! E o que essa multidão fez? Plantaram batatas! E com tantas batatas disponíveis no mercado, o preço individual caiu. Simples regra econômica. Os poucos que se deram bem, foram aqueles que não cultivaram batatas, mas algodão, cuja produção diminuiu de um ano pra outro.
Agora mude as palavras, ao invés de agricultor, leia programador. Ao invés de batata, leia qualquer tecnologia ou buzzword da moda, como SOA ou Cloud Computing. Perceba que no momento em que você ouvir uma expressão da moda, levará um ano (tá, mais ou menos) para você ficar muito bom. Até lá, aquilo que você estudou não será uma área tão bombada, e seu salário permanecerá igual ao que era antes. Ruim, não?
Por que você resolveu aprender aquele conteúdo na primeira vez que o viu? Necessidade de se adequar ao mercado? Minha opinião, você não pode ser tudo aquilo que a sopa de letrinhas das ofertas de emprego lhe pedem, esqueça! Quando se pede muita coisa, fica-se a sensação de que a consultoria está buscando um Chuck Norris, um herói que faça o impossível possível. Tenha como guia aquilo que você faz e gosta. Exemplo: surgiu a API do Android, uma biblioteca que permite construir aplicativos para o sistema operacional dos futuros celulares. Deveria eu aprender essa API? Talvez até faça sucesso, mas o que eu faço (e gosto) é programar aplicativos que rodam em servidores, nunca me interessei por aplicações móveis. Então, colocarei esse framework como baixa prioridade na lista das coisas que gostaria de aprender. Porém, existem programadores que já conhecem Java ME ou que sonham em trabalhar com celulares, que talvez encontrem uma motivação maior do que eu encontraria para aprender o Android.
E se o framework fizer sucesso? Vou deixar perder essa oportunidade? Sim, pois não conheço dispositivos móveis, e não é a área que eu gosto mais.
2.
Qual a diferença entre Bohemia e Itaipava? Não sou conhecedor tanto assim do universo etílico, mas posso afirmar uma coisa: a primeira é mais cara que a segunda. Por que? Bohemia é supostamente de qualidade superior em relação às outras cervejas. Não só isso, essa qualidade é perceptível aos consumidores da bebida, fazendo com que estes paguem mais caro sem reclamar. De fato, para a AmBev, não custa muito mais produzir Bohemia do que produzir Antarctica. Muito provavelmente, a companhia mantém uma margem de lucro baixa para as cervejas mais populares, compensando a perda com as cervejas mais elaboradas. É fato que, para os poucos que não se importam em pagar mais caro e que apreciam uma boa bebida, o preço pago a mais não é uma ofensa, mas ao contrário, chega a ser considerado justo e até credita-se a ter um melhor custo-benefício. Bohemia é o que se pode chamar de produto premium, que não é limitado às cervejas, existindo em vários segmentos de mercado onde o produto final não é uma commodity.
Agora, se você é um produto, por que não ser então um produto premium? Ser premium significa simplesmente que você oferece mais valor ao seu empregador, e portanto recebe mais por isso; mas não porque você resolveu dar uma de machão e ficou trabalhando 14 horas por dia, mas porque você é diferenciado. Tá, eu sei, a maioria das empresas não dão a mínima, tomam mesmo é Kaiser. Mas e se existir 1% onde o ambiente onde não é assim? Não vale a pena ser diferenciado?
Mas como ser diferenciado? Duas dicas (que não são as únicas):
- leia um livro de computação por ano: sério, a absoluta maioria dos programadores não fazem isso, um livro por ano é garantia certa de estar bastante acima dos outros. Se precisa te indicação, reduzo a dois livros: The Pragmatic Programmer, e Patterns of Enterprise Application Architecture.
- aprenda inglês: leva tempo, uns cinco anos ou mais (e não há cursinhos que focam “na conversação” que vai reduzir esse tempo), mas não é algo que vai se perder no tempo e ficar ultrapassado.
3.
Carro: existe o ano do modelo. Roupas: existe a estação. Computadores: existe incremento de mais e mais velocidade e capacidade.
A indústria, a partir do século XX aprendeu a incrementar seus produtos de tempos em tempos. Alguns podem pensar que isso é esperteza dos empresários para fazerem os consumidores comprarem mais. Mas, se pensarmos bem, quando o consumidor possui um produto que estragou ou quebrou, e quer comprar um novo, ele não tem o desejo de comprar a mesma coisa, prefere comprar algo melhor do que ele tinha. Então, é do interesse de tanto dos empresários quanto dos consumidores que os produtos ofertados mudem com o tempo.
Nossa área também vive essa constante de mudanças. O tempo passa e novas bibliotecas, novos frameworks, novas linguagens surgem e, embalados por “vendors” ou por evangelistas, eles são ofertados ao mercado. Não raro, os programadores ficam numa batalha contrária, reclamando do excesso de frameworks, da modinha de linguagens, do fluxo incessante de alterações… Melhor seria se essa multiplicação de novas coisas terminassem, não é mesmo?
Discordo! Seu problema é não entender princípios e padrões existentes em cada tecnologia. Por exemplo, vários frameworks seguem o mesmo padrão MVC, várias linguagens seguem o paradigma de orientação a objetos, outras linguagens seguem o paradigma funcional, mecanismos de persistência costumam apresentar os atributos “sujos” e o cache de requisições numa mesma transação. Aprender aquilo que está por trás de tecnologia é a melhor maneira de, quando algo novo e melhor surgir, você não fique perdido. Há um “problema”: abstrair conceitos de ferramentas só é possível quando você se defronta com mais de um tipo de linguagem ou framework. Infelizmente, a maioria apenas conhece uma linguagem (Java), apenas um banco (Oracle), apenas um mecanismo de persistência (Hibernate) e apenas um framework (Struts). Se é esse seu caso, corra atrás de aprender uma segunda opção. E se conseguir abstrair, as terceiras e quartas opções serão bastante fáceis.
Muito bom o artigo, foi muito clara a mensagem.. parabéns. realmente somos itens de mercado.
Valew… foi um bom incentivo pra mim, Não trabalho na área pois stou com um trabalho que ganha razoavel e trabalho 6hr
sobra mais tempo pra estudar, por enquanto estudando ingles, e por conta JAVA, flex 3, postgree, … desanima pela quantidade de informação… mas tem que seguir em frente.